sábado, junho 06, 2009

Desculpem o atraso

Ontem foi um dia de atrasos. Me atrasei para a aula de manhã, me atrasei para aula à tarde. Mas no fim consegui colocar tudo em ordem. Não entendo porque os japoneses são tão neurados com horários. Um dia me acostumo.

Atrasei uns 3 dias para escrever esse post. Essa semana foi punk de dever de casa e trabalhos em geral. Mas vamos conferir o resumao das ultimas duas semanas. 

Dia 26 - terça-feira 
Foi aniversário da Ayako como escrevi no outro post. Queria deixar claro que não rola mais nada entre a gente. Volta e meia alguém ainda me pergunta, mas a resposta é sempre a mesma. Bola pra frente.

Quarta-feira
Dia comum. Fui a aula, voltei para casa. Dei uma passadinha no Dom Quijote e comprei uma estante. O Bruno que mora no meu alojamento me deu a dica. Por apenas 30 reais uma estante bacana e que coube perfeitamente minha televisão. Me senti muito adulto quando eu mesmo não só montei a estante mas ainda fiz alguns buracos nela para passar os cabos do videogame por trás. Coloquei minhas no depósito do dormitório. Dica do Fred.

Quinta-feira
Almocei com a minha professora de japonês preferida no Japão: Murakami Sensei. Ela não só foi minha primeira professora como é uma pessoa muito legal. Almocamos em Akihabara que era no meio do caminho entre as nossas casas. Murakami morou um tempo na inglaterra e me contou um pouco de sua história. Me lembrei tanto de uma amiga minha no Brasil que teve o mesmo problema dela. Ela gostava muito de um rapaz e descobriu que ele era gay. =S. Mas hoje ela é casada, mas como casou mais velha não consegue ter filhos. Uma pena. Ah, e ela é formada na mesma universidade que eu estudo agora. Senpai =) Comemos Curry indiano num restaurante bem legal e barato em cima da Yodobashi câmera. Ela pagou. Vi que a Yodobashi tem, além de eletrônicos, bicicletas. Murakami sensei comprou Gyakuten Saiban (Phoenix Wright) para o DS. Trabalhei no meu projeto com o Tássio. Fiz um bilhão e meio de deveres de casa. Estudei para a prova de sexta.

Sexta
Mais um dia de aula puxado. Na volta para casa passei no Dom Quijote para comprar comida. Jantei com o Mário e a Rita num restaurante japonês legítimo. Foi muito divertido.

Sábado
Trabalho no projeto com o Tássio. Ele aí no Brasil e eu no Japão mandando bala. À tarde passo em Akihabara para ver direito a loja de bicicletas. Queria tanto comprar uma. Mas agora meio que estou desanimando porque não pára de chover. Entramos na estação de chuvas. Um mês de chuva quase todos os dias. À noite fui à uma festa em um bar brasileiro. Fui com mais uma galerinha de três japonêses da minha faculdade. Tinham três brasileiros na festa: Eu, o dono do bar e mais um cara que estava na organização do evento. De resto eram na maioria japoneses que tinham alguma ligação com o Brasil. Ou já tinham morado aqui ou trabalhavam em algo relacionando os dois países. Ouvi um japonês tocando bossa nova brasileira no violão que fiquei bolado. O cara é bom de verdade e a pronuncia do português dele cantando é perfeita. O nome dele é Michinari Usuda. www.michinariusuda.com Morou 10 anos no Rio de Janeiro. Teve também uma aula de dança muito estranha para os padrões brasileiros. Imagina se você vai a um bar e ao invés de dançar livremente tem um professor de dança ensinando e todo mundo dançando igual. Sem feeling total. 80% das pessoas no lugar eram mulheres. Conheci umas pessoas interessantes. Mas não rendeu em nada. Na volta para casa me perdi. Voei em meus próprios pensamentos ouvindo Dream Theater e quando dei por mim estava muito perdido. Uma caminhada de 20 minutos virou 1 hora. Queria tirar umas fotos de coisas diferentes que vi pelo caminho mas a bateria do meu celular acabou. Na volta, já em Shibuya encontro com meus portugueses. Mais uma vez o Mário e a Rita. Paramos para uma cerveja. Peço algo no cardápio que estava escrito "mango" e estava na sessão de alcólicos. Volto para casa feliz.

Domingo
Fiquei inspirado e escrevi as histórias que ouvi naqueles dias. Fui ao Jogo de Beisebol. Foi fantástico. O meu time, da Universidade de KEIO, havia perdido no dia anterior. As partidas são jogadas em melhor de 3. Então se ganhássemos teríamos um jogo na segunda-feira e as aulas seriam canceladas. Esse confronto de beisebol KEIO contra Waseda é tão famoso há tanto tempo que no ano passado virou um filme. Um filme que conta a história da última partida antes dos estudantes irem para a guerra. Nessa época o beisebol, esporte americano era proibido. E pouquissimos japoneses voltaram vivos da guerra para contar história. 

 Nunca tinha ido a um jogo de beisebol. As regras não são lá tão complicadas, mas tem muitas excessões, o que pode ser meio chatinho no começo. Mas rapidinho se aprende e você se diverte de qualquer jeito. Mas o mais interessante foi a torcida organizada. A faculdade tem uma equipe de Cheerleaders e de Ouendan (como eu expliquei em posts anteriores), além de uma banda de marcha que toca os hinos dos times. Vou descrever um pouco o evento: A gente chega no local umas 11 da manhã para o jogo que vai começar 13h. Quando dá mais ou menos 12h os líderes de torcida (homens e mulheres) começam a chamar a galera para agitar. 12h30 os líderes de torcida da equipe adversária vem e fazem uma pequena apresentação. 13h começa o jogo. Durante todo o tempo os líderes de torcida e a banda animam o pessoal: Se estamos rebatendo ficamos cantando músicas e trechos de let´s go, vamos derrotar o time adversário e etc. Quando estamos defendendo, todo mundo roda a mão no ar e faz o gesto do pitcher (que é o cara que aremessa a bola) junto como que dando força ao movimento. No meio do dia choveu. Interromperam o jogo por uma meia hora. Esperei. Estávamos perdendo. 5o inning. Volta o jogo. 2 vezes mais emocionante. Os líderes de torcida se aquecem mais ainda na chuva. Empatamos. Gritamos com força o nome de cada jogador em campo. Suamos em baixo de nossos guarda-chuvas. No 9o e último inning, tendo conquistado 3 bases e apenas um ponto atrás... Out! Perdemos. Cheguei em casa, tomei banho e dormi o sono dos guerreiros.

Fim da semana.


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domingo, maio 31, 2009

Histórias de um hotel em Tokyo

Como comentei no outro post, tenho ouvido muitas histórias interessantes. Mas não queria que elas se perdessem no tempo e no espaço. Por isso as escrevo aqui. 

Como hoje as histórias se passam em um Hotel me lembro do Waltinho. Quantas histórias guardadas ele não deve ter de milhares de hóspedes que passam todos os meses por seus quartos, corredores, restaurants e loobys. Dessa vez vou repassar as histórias contadas a mim por Ricco de Blanc, o gerente geral do hotel Ritz Carlton no Japão. Ele foi convidado por meu professor para dar uma palestra em minha aula de business. Sua palestra foi mais sobre motivação do que realmente administração, mas ele é um bom contador de histórias. Consigo lembrar bem de 3.

A primeira que ele contou foi a história de um homem queria pedir a namorada em casamento mas não sabia como. Pediu ajuda ao gerente dos camareiros que passava pelo corredor. O gerente dos camareiros convocou uma reunião geral entre os funcionários do hotel e planejaram tudo.  Na noite seguinte o plano entraria em ação. Lá pelas 19h o rapaz chama sua namorada para jantar no hotel. Quando chegam ao restaurante, que fica no último andar, o maitre já os leva para o melhor lugar da casa com a melhor vista. E eles pedem um champagne e começam a conversar. O rapaz faz um sinal que está dando tudo certo para o garçom. O garçom avisa a outros funcionários que trazem para a mesa uma escultura de gelo em formato de um arco. A moça já está achando aquilo tudo muito estranho, mas muito bonito. Ele olha para o relógio e começa a cronometrar sua fala. Depois de exatos 23 minutos ele a pede em casamento e estende mão. O anel cai em sua mão de dentro da escultura de gelo. O pessoal do restaurante calculou quanto tempo ia gastar para o anel cair de acordo com a temperatura ambiente. Ela não resistiu e depois de muitos Oh, Oh, Oh, disse sim. Algum tempo depois eles voltaram e se casaram no próprio Ritz Carlton. 5 milhões de yenes.

A segunda história é o do drink mais caro do mundo. Basicamente ele é o champagne mais caro da casa servido com um diamante Bulgari de 1.6 carat dentro da taça. Custa 1.5 milhões de yenes, o que seria algo em torno de 16 mil dólares. http://www.msnbc.msn.com/id/18472876/ . E Ricco explica que o coquetel não tem nada a ver com vender ou não vender. Eles não se importam com isso. O que chama a atenção é todo o glamour e propaganda gratuita que vem junto. Atualmente o Ritz Carlton é o hotel mais caro do Japão e é esse um dos motivos dele continuar dando lucro mesmo em época de crise. Ele não é baseado no produto em si, mas em seu valor agregado.  Em um certo dia eles decidiram tentar vender o cocktail "Diamonds are forever" e até hoje já venderam 3! Um dia um homem de negócios queria impressionar uma mulher e perguntou ao barman o que deveria fazer. O barman sugeriu: - Porque você não compra o drink que vem com um diamante? O homem de negócios nem pensou duas vezes.

A terceira e última história dos hotéis tem a ver com os homens de negócios e suas amantes. Segundo Ricco isso parece ser algo muito comum por aqui já que todo fim de semana seu hotel recebe muitos, mas muitos casais desse tipo. Suas funcionárias da recepção foram treinadas para aplicar um pequeno golpe. Quando elas reparam que a situação é do homem com usa amante elas agem da seguinte forma: Elas demoram um pouco mais no computador e dizem olhando para a amante. "Uma suite acabou de ficar vaga e posso fazer por apenas 14 000 yenes a mais do que o quarto comum. Vocês desejam trocar para a suíte?" A amante já faz uma cara de que está superimpressionada com a idéia de ficar em uma suíte no Ritz Carlton e começa a sorrir mais do que de costume. O homem faz uma cara de "Putz, vai ser quase a mesma coisa por mais 150 dólares!" Mas quando ele olha para a cara da sua acompanhante ele não consegue negar e paga. Em um fim de semana são muitos quartos que viram suítes em Tokyo. Se o cliente está satisfeito, deixo para a imaginação de vocês. E Ricco completa contabilizando: " E o pobre coitado do homem que chega com sua acompanhante, geralmente muito mais nova, deixa 1000 dólares no hotel em uma noite.